Eu odeio quando você me decepciona, sem saber, com atitudes que contrariam aquela concepção intocável que quero manter sobre você, na tentativa de justificar tamanha adoração.
Eu odeio a forma menos carinhosa com a qual você me trata, sendo que eu ofereço todo o meu mundo a você, e ainda reclamo, faço birra, pois não me dou conta que este mundo ultrapassa a sua própria existência.
Eu odeio pensar que, enquanto você está aí se divertindo, fitando cada pêssego com esses olhos que um dia foram meus e, (droga), se deliciando com outras peles, permaneço aqui, à sua espera. Temerosa por suas aventuras. Triste por ainda me permitir fazer parte delas.
(Aliás, eu odeio pensar, já que você ocupa cada parte do meu cérebro, da mais importante a mais ordinária. Cada imagem fitada, cada pensamento elaborado, cada música internamente entoada...tudo tem sua marca imperativa como pano de fundo. Mesmo indesejada, ela se impõe, desafiando qualquer ordenamento de onde habita. Subjugando. Não possuo mais qualquer mecanismo de refúgio a não ser o vazio mental, racional. Se pudesse, viveria num estado de inflexível contato com o nada.)
Enfim,
Eu odeio o quanto eu te amo.