Você se considera dono de si, não é mesmo?
Adora me chamar de imatura , sendo que, pra você, maturidade é um estado pessoal supremo em que errar não é admitido; se entregar a um sentimento é fraqueza ou idiotice; em que a superficialidade é o melhor caminho quando se estremece por alguém, só para não se envolver, por tamanha covardia; em que a promiscuidade é a (nojenta) opção para não ter tempo de se apegar a ninguém. Não se permite sair dessa redoma de autocontrole e desprendimento, para experimentar a sensação de ser um pouco mais...humano. Sim, humano, não sentimental ou abobalhado, apenas humano, ao contrário desse seu comportamento deveras racional, lógico e frio, como se a vida fosse uma ciência exata, composta de dogmas ou fórmulas rígidas.
Você se ausenta de sofrer, mas não sabe que o sofrimento é que nos adapta ao hostil.
Se ausenta de viver e apenas...vai vivendo.
De fato, eu sou completamente imatura, também passional e insegura, e reconheço meus levianos defeitos que acometeram sua perfeição pessoal. Mas pelo menos eu estou aqui, pulsante, na efervescência e urgência dos meus sentimentos, intensa e de coração aberto. Sofrendo também, claro, mas eu me permito porque sei que vou sobreviver. Para cada veneno que, por vezes, alastra-se pelo meu corpo, debilitando tudo que me mantém, procuro, mesmo sôfrega, pelo antídoto adequado e cada acerto se configura como uma vitória para o meu autoconhecimento. Já você não vive absolutamente nada, tão pouco se permite. Prefere tentar ser alguém que na verdade só existe pra disfarçar os seus medos. É patético.
Sabe o que eu vejo quando olho pra você? Eu vejo um bebê frágil, inseguro, enrolado num cobertor, tremendo, em posição fetal. Um dia alguém pode até enxergar isso que você tenta esconder, pode até sentir empatia, mas depois de um tempo, se você não souber enfrentar esses seus medos, só vai dar pra ver um velho seco aí dentro, e aí...
Boa sorte, seja você quem for.