Sinto-me num maldito cubículo, de paredes e chão gélidos, luminosidade fraca.
Um compartimento rígido, sem fissura ou fresta alguma, de forma que eu dependa exclusivamente de uma respiração lenta e aquecida para não sucumbir à fobia. No início digladio, me desespero, sinto frio, solidão.
Agora, já que estou presa, tento tocar o que há em volta, a fim de mensurar tamanho confinamento. Em seguida, observo, com os olhos miúdos, na busca de encontrar algo que me distraia, como um pedaço de coisa qualquer. Em vão. Insuportavelmente, só existo eu.
Deito ao chão. Tremores me abatem mas, por falta de escolha, resisto. Aos poucos acomodo minha carne quente ao terreno frígido e rapidamente nossas temperaturas se igualam, de forma que todo meu corpo fica anestesiado.
Já não sinto mais nada.
Tudo é insípido, inodoro, cego.
Negro. Tão escuro que o enxergar iguala-se ao fechar de olhos. O acordar ao dormir.
A realidade ao sonho. A vida à morte.
Vida de morte.
(Escrito em outubro/2010, mas completamente atual).
(Escrito em outubro/2010, mas completamente atual).